O espaço da História

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Introdução

Quando a guerra começou, em 1914, foram colocados em confronto dois sistemas de alianças: a Tríplice Aliança e a Tríplice Entente. A primeira englobava a Alemanha, a Áustria-Hungria e a Itália (que se declarou neutral no início do conflito). A segunda era constituída pela França, Rússia e Reino Unido. Nestes dois sistemas estavam presentes todas as Grandes Potências europeias. No decorrer da guerra, outras potências aderiram a cada um destes blocos. Portugal, aliado de Inglaterra, entrou na guerra em 1916.

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1 - As Guerras da Unificação Alemã

A região da Europa que ficou conhecida como Alemanha era, antes das Guerras Napoleónicas, um território habitado por cerca de vinte e três milhões de habitantes distribuídos por 314 territórios independentes, governados por autoridades seculares ou religiosas. Grande parte desta região estava incluída no Sacro Império Romano-Germânico sob domínio da Casa de Habsburgo. Tratava-se de um território politicamente muito fragmentado e economicamente subdesenvolvido. Para esta última característica contribuía a ausência de um mercado unificado e a uma estrutura social antiquada em que prevalecia o poder feudal.

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10 - A Tríplice Entente

A Europa no Início do século XX

No início do século XX, as Grandes Potências Europeias alinhavam-se em dois sistemas de alianças e acordos. De um lado a Tríplice Aliança, formada em 1882, pela Alemanha, Áustria-Hungria e Itália; do outro lado, a Aliança Franco-Russa, estabelecida em 1892. O Reino Unido quebrou a sua política de “esplêndido isolamento” ao realizar uma aliança com o Japão, em 1902, enquanto na Europa, na aproximação à França, não foi além de um acordo, a Entente Cordiale, direccionado para a resolução de conflitos coloniais. A entente entre o Reino Unido e a França foi posta à prova durante a Primeira Crise de Marrocos (1905-1906), tornando-se mais sólida e dando origem a conversações entre os Estados-Maiores britânico e francês tendo em vista a eventualidade de uma guerra na Europa. Mesmo neste último caso, não existiu mais do que um acordo que a nada obrigava o Reino Unido. A Rússia, abalada pela derrota sofrida na Guerra Russo-Japonesa (1904-1905) e a braços com a Revolução de 1905, procurava criar condições para uma recuperação económica e militar. Assim, a França mantinha então uma “ligação forte” com a Rússia, sob a forma de aliança defensiva, e uma “ligação fraca” com o Reino Unido, sob a forma de entente.

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9 - A Primeira Crise de Marrocos

Marrocos

Marrocos é um país no extremo Noroeste de África. Tem fronteiras terrestres com a Argélia, a Oriente, e com o Saara Ocidental, a Sul e Sudeste. As suas costas são banhadas pelo Oceano Atlântico e pelo Mar Mediterrâneo. Marrocos é o território africano mais próximo da Europa, a uma distância de apenas 14 Km, a largura mínima do Estreito de Gibraltar. O Norte de Marrocos tem, portanto, domínio sobre a passagem entre o Atlântico e o Mediterrâneo. A paisagem marroquina é dominada pelo Rif, região montanhosa a Norte, que se estende ao longo da costa mediterrânica, do Atlântico até perto da fronteira com a Argélia, e pelo Atlas, cordilheira que atravessa Marrocos no sentido SO-NE e se prolonga pela costa mediterrânica na Argélia até ao Norte da Tunísia. A cordilheira do Rif atinge os 2.453 metros e a altitude no Atlas chega aos 4.000 metros. Junto à costa ocidental desenvolve-se, entre o Rif e o limite SO do Atlas, uma sucessão de planaltos e planície litorais onde se desenvolveu a agricultura e vive 95% da população do país.

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8 - A Guerra Russo-Japonesa

Entre 1905 e 1914, as Grandes Potências europeias envolveram-se em crises cada vez mais graves, entre a França e a Alemanha, com origem em questões coloniais, e entre a Áustria-Hungria e a Rússia, nascidas nos Balcãs [Duroselle, 1975, p. 148]. A primeira destas crises, a “Crise de Tânger” ou “Primeira Crise de Marrocos”, refere-se a um conjunto de acontecimentos que tiveram início em Março de 1905. Estes acontecimentos, localizados em Marrocos, não foram mais que o rastilho de uma crise essencialmente europeia e que foi condicionada por outros acontecimentos, por vezes longínquos, da Europa Ocidental ao Extremo Oriente. Foi o caso da guerra entre a Rússia e o Japão (1904-1905) que só não evoluiu para um conflito mais vasto, entre Potências europeias, porque existiam interesses a serem preservados.

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7 - A Entente Cordiale

Entente” é uma expressão diplomática que refere um acordo entre dois ou mais Estados e que é diferente de um tratado estabelecido com as formalidades que é normal cumprir. Enquanto os tratados realizados seguindo as formalidades em uso são, em princípio pormenorizados, isto é, especificam de forma clara como cada uma das partes deve agir, a “Entente” é um acordo pouco detalhado quanto às acções que competem desenvolver por cada uma das partes embora possa, à semelhança dos tratados, ser bastante específico quanto aos objectivos. [EVANS, 1998, p. 149]

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6 - A Aliança Franco-Russa e a aproximação franco-italiana

Alianças e focos de tensão na Europa depois de 1890

Guilherme II da Alemanha, imperador desde Junho de 1888, em desacordo com Bismarck na generalidade dos assuntos do governo do Império, pressionou a demissão do Chanceler e definiu uma política externa diferente daquela que até aí tinha sido seguida. A política alemã, que se baseava inteiramente na sua supremacia europeia, passou a ser uma política mundial (Weltpolitik) e lançou a Alemanha na corrida colonial. As alterações na política externa da Alemanha passaram também por uma alteração importante no relacionamento com as outras Grandes Potências.

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5 - A complexidade e o desmoronamento do sistema de Bismarck

A crise nos Balcãs

Pelo artigo II do tratado que instituía a Liga dos Três Imperadores (1881), a Áustria-Hungria e a Rússia comprometiam-se a só alterar o status quo territorial da Turquia na Europa (Balcãs) após estabelecerem um acordo entre elas. No entanto, ambas as Potências foram alterando em seu proveito a situação que tinha sido estabelecida no Congresso de Berlim (1878) e estas alterações abriram uma nova crise nos Balcãs. A Sérvia, a Roménia e a Bulgária foram o objecto da acção daquelas duas Grandes Potências influentes na região.

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