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Planos de guerra

As ações militares da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) não foram iniciadas de forma inopinada, mas seguiram planos que as Potências envolvidas tinham desenvolvido. Estas ações militares foram precedidas de outras, aplicadas pelos respetivos governos no campo da diplomacia, mas também, a nível interno, na preparação das forças armadas e dos numerosos e diversificados recursos necessários para apoiar as ações militares. Nos acontecimentos que antecederam o desencadear da guerra, os atores principais foram os líderes políticos, mas competia aos militares, de acordo com as orientações recebidas do poder político, prepararem as forças armadas para as prováveis situações de conflito então identificadas. Em 1914, tal como acontece hoje, foi o poder político a decidir a guerra. Em 1918, da mesma forma, foi o poder político que decidiu o fim da guerra. Durante o conflito foi o poder político que providenciou os recursos necessários às suas forças armadas. Estes processos não são possíveis sem uma íntima ligação entre os líderes políticos e militares porque, quando a relação com os outros Estados se deteriora ao ponto de desencadear um conflito armado, são as forças militares que assumem o papel de maior relevo. Nas potências intervenientes na Primeira Guerra Mundial existiam regimes políticos muito diferentes. Só existia uma república, a França, mas as próprias monarquias apresentavam diferenças muito grandes, como eram os casos, por exemplo, da monarquia britânica, democrática, e das monarquias russa e alemã, autocráticas. Estas diferenças ditaram diferentes formas de relacionamento entre o poder político e a instituição militar.

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Planos de guerra da França

No início da Primeira Guerra Mundial, a França acionou o seu Plano XVII, idealizado pelo General Joseph Joffre (1852-1931), Chefe do Estado Maior General desde 1911. Este plano, que entrou em vigor em 1913, foi o resultado de uma evolução que começou após a derrota dos exércitos franceses frente às forças prussianas e seus aliados na Guerra Franco-Prussiana de 1870-1871. A partir de então, houve um intenso debate sobre a construção de um conceito de Defesa Nacional para a França, dando origem a importantes reformas estruturais que incidiram principalmente sobre o modelo de recrutamento e a organização e metodologia do sistema de estados-maiores no Exército Francês [COSSON, 2014, «Foundation of the New Republican Army (1871-1879)»].

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